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Airsoft: esporte que simula operações militares tem adeptos em Boa Vista

Postado em 13 de outubro de 2021 por

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Da Redação: Fotos: Janaína Pazza

Trabalho em equipe, concentração, lógica, estratégia e muita adrenalina. Se é isso que você procura em uma prática esportiva, está na hora de conhecer o airsoft. O jogo, criado no Japão entre as décadas de 70 e 80, utiliza réplicas de armas de fogo que disparam balas de plástico. No Brasil, chegou em 2003 e, desde então, o esporte vem crescendo em todo o país.

E em Boa Vista da Aparecida o esporte está chamando a atenção de várias pessoas. Trazido por Orildo Peliser Junior, o Dr. Orildo, médico que atende no município há cerca de um ano, o airsoft é praticado todos os finais de semana. “Eu já pratico o airsoft há mais de três anos e participava dos jogos em Três Barras, depois em Capitão. Quando vim para Boa Vista, apresentei a prática a outras pessoas e hoje temos uma equipe. Jogamos aqui no nosso campo e participamos também de jogos em outros municípios da região e do estado”, conta Orildo.

Dr. Orildo, mentor do GRIFO

De acordo com o praticante, conhecido como Dr. Sniper, o objetivo é a diversão. “É um esporte não competitivo, um hobby para desestressar. Não há competição. Claro, uma equipe derrota a outra, mas o importante é a prática e o que ela nos traz, a diversão, a amizade. É praticado por homens e mulheres de diferentes idades. E tem a questão da honra, que é o sistema que baliza a atividade, onde cada jogador assume que foi atingido, já que as bolinhas disparadas não marcam o alvo”.

Orildo é o mentor do GRIFO – Grupo Interno de Forças Operacionais de Boa Vista da Aparecida, que conta com 23 membros. O campo de combate fica na chácara do seu Miro Beltrame, na linha São Miguel. “Os jogos são baseados em situações reais, por exemplo, guerra no Afeganistão, assalto a um banco, subir ao morro de terroristas, explosão da Casa Branca, resgate de reféns, enfim, cada jogo tem um enredo com várias missões que devem ser cumpridas para o sucesso da operação”, explica.

As armas são de ar comprimido ou elétricas e imitam metralhadoras, pistolas, carabinas, espingardas, etc. “Elas podem machucar, por isso cada jogo tem armas específicas que podem ser utilizadas, dependendo da distância em que os jogadores vão interagir. Por exemplo, com uma arma sniper, tenho que ter consciência que não posso atirar no meu oponente a menos de 30 metros de distância, porque vou machucá-lo”.

Prática esportiva

No Grupo do município há 4 mulheres e Gabrielly Signorini é uma delas. A estudante de psicologia entrou para o esporte na companhia do noivo, Felippe Daros. Eles procuravam um esporte para praticarem juntos e encontraram no airsoft uma paixão. “Decidimos entrar juntos. E como estávamos sedentários, procurando algo para praticar, o convite chegou em boa hora, pois também gostamos dessa coisa de armas, estamos vendo para tirar o porte, então aceitamos na hora”, conta Gabrielly.

Gabrielly e Felippe

Felippe fala sobre a prática como exercício físico. “É um esporte que exige muita preparação física, é intenso, a gente corre, pula, se abaixa, rasteja. E tem um rio que passa dentro do nosso campo, então entramos na água, pisamos no barro. É cansativo”. Sobre a duração dos combates, o tempo varia de acordo com o objetivo da operação. “Às vezes os jogos duram 2 horas, 4 horas e até mais, pois há modalidades com grupos maiores com operações que duram 12 ou até 36 horas, nas competições mais prolongadas, onde os operadores acabam fazendo tudo no campo, levam barracas e mantimentos para uma simulação extremamente real”, explica Felippe.

Desde 2007, há uma portaria no Brasil (Nº 006-D LOG) que regulamento o uso de equipamentos para a prática de airsoft. Além das armas e munições, há no mercado diferentes tipos de equipamentos de segurança, mas somente os óculos de proteção é  item obrigatório.“Ninguém pisa no campo sem os óculos de proteção, mas podem ser utilizados outros equipamentos também, pois as bolinhas machucam pra caramba, então é legal ter também uma máscara para proteger todo o rosto e há quem prefira usar também coletes, como eu, para doer menos”, diz ela.

Fabiana Beltrame Signorini, filha de Miro disse que foi procurada pelo grupo e aceitou a proposta de sediar os jogos. “Eu não conhecia o esporte, eles procuraram o meu pai para usar um espaço da chácara, pois é um local plano, com árvores, o rio, tornando o jogo mais real. É um local que dá pra fazer novas adaptações sempre que for necessário. Meu irmão, Flávio, e eu estamos ali administrando e vendo o que o grupo precisa, instalando barreiras e organizando tudo”, diz Fabiana.

Fabiana Beltrame

Turismo Rural

Em Boa Vista todo mundo conhece as carreiras que ocorrem no local há décadas e Fabiana conta que a família pretende integrar os eventos para que o airsoft tenha mais divulgação. “Desde que fomos procurados, estamos organizando o local. Já estamos recebendo equipes de airsoft de outros municípios, convidadas pelo GRIFO e pretendemos divulgar mais o sítio. Então assim que houver um novo evento por lá, a equipe de airsoft estará fazendo uma demonstração do esporte, para que as pessoas conheçam os outros atrativos que o sítio oferece.

De acordo com Fabiana, há projetos para que o sítio seja um atrativo de Turismo Rural de Boa Vista. “Queremos agregar valor, novas modalidades. Pensamos em transformar o sítio em um espaço de múltiplas atividades de turismo rural, voltado para toda a população. Quero focar também em fazer algo para as crianças, pois em nosso município, os pais não tem onde levar seus filhos. Então estamos trabalhando nessa ideia de criar um ambiente natural, ecológico, onde as crianças venham ver animais, passear a cavalo, que todos possam se divertir”.

Quem quiser conhecer o esporte, pode procurar algum dos membros da equipe GRIFO e comparecer à arena em dias de jogos, realizados principalmente aos domingos pela manhã. “Quando algum convidado vai ao campo para conhecer o esporte, nós emprestamos armas, equipamentos de segurança, munição. Então se você for convidado por algum participante, vá, conheça e veja se o esporte é pra você, não precisa de cara sair comprando equipamentos”, diz Orildo.

Imagens de arquivo do grupo:

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