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Família Breansini: Da uva ao vinho colonial

Postado em 24 de setembro de 2021 por

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Da redação da Rádio Boa Vista FM

Texto e Fotos: Janaína Pazza

Dizem que beber uma taça de vinho tinto por dia faz bem ao coração. Uma bebida associada ao inverno, mas que é bem vinda em qualquer época do ano, nos traz uma sensação de aconchego e de bem-estar.

Cada cultura traz uma história própria sobre o surgimento do vinho, mas o que sabemos é que ele veio antes da escrita e acompanhou a evolução de várias civilizações em diferentes épocas. A Grécia foi um dos países que mais cultuou o vinho, porém, era bebido mais pelo efeito entorpecente do que pelo sabor. No Egito, há registros de 5 mil anos que mostram o consumo de vinho em rituais e celebrações. Para os romanos, o vinho era uma espécie símbolo e era levado para cada território que invadiam, como forma de impor sua cultura.

No Brasil, o vinho chegou logo após o país ser ocupado, em 1532. Brás Cubas, fundador da cidade de Santos, foi o primeiro a cultivar uvas por aqui. Em 1626, as primeiras videiras foram cultivadas no Rio Grande do Sul pelos jesuítas, pela necessidade da produção de vinho para utilização nas missas. Mas foi graças à colonização italiana, a partir de 1875, que despontou o crescimento da vitivinicultura gaúcha, trazendo o vinho como um hábito alimentar.

Negócio Familiar

A partir disso, o sul do Brasil passou a ficar famoso pela produção de ótimos vinhos. Nos três estados, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, há vinícolas de todos os tamanhos e muitas delas começam como um negócio familiar.

Em Boa Vista, temos um exemplo disso. A Família Breansini veio de Santa Catarina para cá trazida pelo seu Domingos, no final da década de 60. Foi ele que em 1995 começou a plantação das videiras, com cerca de 200 pés. Em 1998, fez a primeira produção de vinho. Dois anos depois, a propriedade de dois alqueires e meio já contava com 1.500 pés de uva, onde metade era destinada para venda, das variedades niágara branca e rosada, e metade de uva bordô para o vinho.

Seu Domingos contava com a ajuda do filho, Seu Antônio, que chegou ao Paraná com 10 anos de idade. Mais tarde casou-se com uma catarinense, dona Lourdes e tiveram dois filhos. O mais novo, Gerson, seguiu o caminho do pai e do avô e assim, como seus pais, continua vivendo na mesma propriedade cultivando as videiras. A família toda e também sua esposa Fátima, trabalham juntos na produção. “Em 2003 plantamos mais 1400 pés, todos de mudas retiradas aqui mesmo da propriedade, aumentando bem a produção”, conta Gerson. Com cursos especializados na fruta, a família expandiu a linha de produtos. “Ainda mantemos metade da plantação para uvas de mesa e metade para o vinho. Além do vinho, há 9 anos fabricamos o suco de uva integral também”.

Em nossa visita à vinícola, os equipamentos estavam guardados, pois nessa época, os cachos de uva estão começando a brotar. A colheita é feita em dezembro e janeiro. “Além da nossa família, durante a colheita, que também é a época da produção dos vinhos e sucos, contratamos funcionários, mas contamos com a ajuda de toda a vizinhança. Os vizinhos vem nos ajudar a colher”, diz Fátima.

Processamento

A uva colhida vai para a cantina, onde é processada. Ela passa pela esmagadeira, que separa a fruta dos cachos e sementes. Depois vai para a fase de fermentação, onde fica por sete dias, até que o vinho seja transferido para as pipas para a maturação final que dura quatro meses. Na vinícola, uma das pipas utilizadas ainda é feita de madeira, mas também há uso da pipa de polipropileno, que vem tomando mais espaço com a modernização dos equipamentos. Quando pronto, o vinho vai para as embalagens pet de 1,5L para ser vendido. O extrato da uva que sobra depois da fermentação é transformado em vinagre, também comercializado pela família.

Já para a fabricação do suco, o processo é diferente. As uvas não precisam ser maceradas e os grãos são fervidos em banho maria para a extração do sumo. A sobra dos grãos é aproveitada na produção de geléias de uva.

Para esta safra, a família estima que sejam colhidas 20 a 25 toneladas de uvas entre todas as variedades cultivadas. A produção de vinho deve ficar em torno de 4 mil litros. O dobro dos anos anteriores. Hoje as videiras ocupam dois hectares da propriedade, com 6.500 pés.

A venda do vinho começa pouco antes da chegada do inverno, nos meses de maio e junho. Toda a produção da safra é vendida antes da próxima colheita. As uvas para consumo são vendidas em várias cidades da região, enquanto os vinhos e sucos podem ser comprados diretamente na propriedade da família. Durante essa fase, onde os produtos estão vendidos e as uvas estão brotando, a família se ocupa com a limpeza e adubação das videiras e reforma da estrutura dos parreirais.

Consumo do Vinho Colonial

O vinho colonial, como este feito pela família Breansini, representa cerca de 70% do consumo do mercado brasileiro. É um vinho jovem e feito para ser consumido logo após a fabricação. Tem muito frescor e um aroma muito frutado. Ele é ideal para o dia a dia, por ser mais leve e possuir menor teor alcoólico. Pode ser harmonizado com praticamente qualquer prato, simples ou mais elaborado.

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