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Fernanda Landin: Atleta aos 40!

Postado em 5 de julho de 2021 por

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Quando pensamos que estamos velhos para fazer algo, geralmente nos aparece um grande exemplo para mostrar que não é bem assim e que somos sim, capazes de fazer muitas coisas, mesmo após os 30, os 40 ou ainda mais tarde.

Deve ter alguém que você conhece que começou a fazer algo diferente a certa altura da vida e teve muito sucesso. Há pessoas que mudam seu ramo profissional e outras começam a investir em suas habilidades artísticas após a aposentadoria, por exemplo. Tem aquele cara que compra uma moto aos 50 e passa a viajar e viver novas aventuras. Ou ainda, tem quem volte a estudar e também quem começa a praticar algum esporte e se sai muito bem.

É o caso da Fernanda Nobre Landin. Professora de matemática, esposa, mãe de dois, 41 anos. Ela que sempre se sentiu excluída dos esportes em equipe desde criança, passou a ver várias amigas da mesma idade praticando corrida. E foi assim que, aos 39 anos, resolveu experimentar esse esporte individual e democrático. Fernanda conta que já fazia caminhadas leves com seu marido, Marcelo Landin (44), de no máximo dois quilômetros. “Era um momento nosso, saíamos para uma caminhadinha no final do dia. E em novembro de 2019 vi fotos nas redes sociais de amigas da minha idade praticando corrida, participando de pequenas maratonas, corrida de rua. Pensei, ‘nossa, que legal. Por que eu não posso fazer também?’. Até então eu tinha outra visão sobre o esporte, achei que não fosse capaz, porque nesses pequenos trechos de caminhada, já me sentia muito cansada. Como é que eu ia correr?”, conta.

Mas ela foi. No dia 25 de novembro, pegou um tênis e partiu para a pista. “Peguei o tênis e a roupa mais confortável que eu tinha. Caminhava um tanto, corria uns 200 metros, nem ia até o final da pista. Eu só consegui completar ida e volta correndo sem parar, o que dá 4 quilômetros e meio, em janeiro, quarenta dias após começar e praticando quase diariamente. Mas naquele ritmo de corridinha leve”.

Entusiasmada, a praticante se inscreveu para uma prova de corrida de rua para o mês seguinte. “Participei da prova da Zero Açúcar, em Cascavel, em fevereiro de 2020. Completei cinco quilômetros com uma média legal. Fiquei em décimo segundo das mulheres da minha faixa etária”.

Com a pandemia, as demais provas que Fernanda havia se inscrito ao longo do ano foram canceladas. “Aproveitei para estudar mais sobre o esporte, treinar e fortalecer o corpo. Estava beirando aos 40, sentia algumas dores e comecei a tomar alguns suplementos. Não é fácil começar a vida de atleta com essa idade”.

Conforme ela conta, o corpo estava se adaptando a nova rotina, pois antes disso, Fernanda apenas jogava voleibol ocasionalmente. Já seu esposo, jogava voleibol com frequência, mas com a pandemia, Marcelo não podia mais reunir os amigos para jogar e passou a praticar corrida com a esposa. “Ele corria antes, mas com o objetivo de ganhar força e energia para o vôlei. Notou que não tinha tanto fôlego e também precisava resistência física. No começo, ele ficava pra trás, mas com um mês teve uma grande evolução e hoje corre muito”. Foi também na corrida que o casal encontrou um esporte para praticar juntos.

A atividade física na vida de Fernanda veio como uma recomendação médica. Entre as tentativas com o voleibol e a corrida, para controlar a ansiedade, ela recorreu à bola suíça usada nos exercícios de Pilates. A professora usa a bola há mais de dez anos para fazer alongamentos, fortalecimento muscular e viu ótimos resultados acontecerem com a prática. “Eu nunca frequentei aulas de Pilates, mas estudei muito para saber como fazer os exercícios. Também aprendi um pouco de ioga pela internet e é isso que eu faço na sala da minha casa. Além da bola, passei a usar elásticos e caneleira. Melhorei a minha flexibilidade e também as dores nas costas”, diz ela.

A vontade de estudar e obter mais conhecimento também se aplicou à corrida. A atleta fez uma imersão em podcasts, blogues e canais de vídeo para aprender sobre como correr corretamente e evitar lesões. Também investiu em tênis e roupas apropriadas com o objetivo de participar de maratonas.

Motivação

A maior distância que ela já correu foi de 15 quilômetros, em treino.  E está inscrita para três provas que serão remarcadas para quando houver possibilidade de realização. “Uma delas é de 21 quilômetros. É um sonho, eu quero muito”.

Fernanda conta que a motivação para correr vem de seu marido. “O Marcelo é uma pessoa extraordinária. Em tudo e assim como na corrida, ele me incentiva muito, me dá a maior força. Eu fiquei feliz quando ele decidiu correr comigo, pois fazemos companhia um para o outro. Nós levamos os tênis quando vamos para outra cidade e corremos juntos”.

Outras pessoas também incentivam a prática. “Há incentivo de muita gente que nunca vi, que me conhecem pelas redes sociais e mandam mensagens, se dizem inspiradas e isso me motiva mais ainda”. Ela também tem um bom exemplo a seguir aqui na pista boavistense. “Às vezes encontro um senhorzinho na pista, um dia ele parou e conversamos. Ele perguntou se eu era atleta, falei que estava apenas começando. Aí ele me contou que começou a correr com 45 anos e hoje está com 77. A gente fica feliz, poxa, pois existe a possibilidade de corrermos muitos anos ainda”, conta animada.

Quanto às mudanças que ocorreram na sua vida com a corrida, Fernanda diz que tudo mudou para melhor. “Tudo mudou, mas com a corrida também veio a pandemia, então algumas coisas podem ter mudado pelos dois fatores. Antes dava valor para coisas que agora não tem mais tanta importância. Hoje gosto de estar em casa, sair para correr. Minhas redes sociais estão diferentes, quanto a pessoas que sigo. Antes era só futilidades, hoje são mais coisas ligadas ao esporte. Quase já não uso mais salto alto também, pois fico com medo de me machucar. Além, claro, da mudança no astral em casa, no meu corpo, na minha resistência. A corrida veio em uma época que resolvi deixar de lado outras coisas e me dedicar a mim mesma, fazer algo por mim, para a minha satisfação. E é uma conquista diária, a minha superação, algo que só depende de mim”.

A nova atleta muitas vezes é procurada para dar dicas de treino de corrida e ela explica que incentiva, mas que cada um deve procurar uma orientação antes da prática. “Não é tão simples, tem que estudar, ver que tipo de corrida se adapta a cada um. Eu pensava que era só por um tênis e ir. No começo pode ser, mas se pegar gosto, tem que aprender algumas coisas, o jeito da pisada, o aquecimento antes, o alongamento depois, ver se tem alguma lesão”.

A quem deseja começar a praticar este ou outro exercício físico, é importante lembrar da necessidade de procurar um profissional habilitado e verificar suas condições físicas, como médicos, fisioterapeutas e educadores físicos.

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