d

Topo

Compartilhe agora

Juliana Sebold: Criativa, contadora de histórias e empresária

Postado em 12 de agosto de 2021 por

Feature image

Da Redação

Fotos: Jana Pazza

Era uma vez uma moça que gostava muito de crianças. Desde pequena, cuidava em casa dos irmãos e ajudava com outras crianças da vizinhança. Ela cresceu, se tornou professora, contou muitas histórias e continua buscando mais.

Juliana Tabita Weiss Sebold tem 25 anos. Ela nasceu na cidade de Planalto, na Bahia. Aos 7, sua família que já era de Boa Vista da Aparecida, retornou à cidade paranaense com seus irmãos Luan, de 3 anos e Letícia, ainda na barriga da mãe. E foi aí que começou a criar vínculo com as crianças. “Quando a gente veio para o Paraná, eu tive que assumir a responsabilidade de cuidar dos meus irmãos para os meus pais trabalharem, fui criando esse vínculo. E no ônibus escolar, eu sempre ajudava as mães com as outras crianças. Tinha vizinha que tinha gêmeos, outras mais de 2 filhos, e eu sempre estava envolvida, pegava no colo, ajudava de alguma forma”, conta.

Na adolescência, ao entrar no ensino médio, Juliana escolheu a formação do magistério oferecida no município, pelo período de quatro anos. “Quando fiz o magistério, pensava também em dar aula aos grandinhos, mas durante o estágio na Educação Infantil, falei, ‘é isso que eu quero’”. Em 2017, passou no concurso do município e assumiu o seu lugar. Hoje, a professora trabalha no berçário do CMEI Hermínia Morais Weiss, todas as manhãs. O Centro Municipal de Educação Infantil leva o nome de sua avó, antiga moradora de Boa Vista. “Me sinto honrada e privilegiada em trabalhar nesse espaço que tem o nome dela”.

Contação de histórias

Mesmo com o trabalho de 20 horas semanais, a professora sentiu que poderia fazer mais e começou a trabalhar como auxiliar terapeuta em uma clínica de Cascavel, atendendo crianças autistas, onde ficou por um ano e meio. Também cursou graduação em Letras – Português, como um desafio a si mesma. “Eu me desafio quando tenho dificuldade em algo. Corro atrás para conseguir fazer, então escolhi a graduação em Letras para superar essa dificuldade”.

E não sossegou. Quando começou a pandemia e as crianças tiveram que ficar em casa, Juliana começou a gravar vídeos de contação de histórias. Em seu perfil do Facebook, recebeu muito apoio de pais. Dezenas de comentários começaram a chegar parabenizando a professora e isso foi um incentivo a continuar. Em seu canal do Youtube, que tem mais de 200 inscritos, a professora conta histórias e faz encenação de músicas infantis. “Arrumei um cenário lá em casa e comecei com o meu livro, o que fiz no magistério. Um pouco fazia para mandar aos meus alunos da escola, mas fiz vídeos para as crianças mais velhas também”.

Foto: Reprodução do Youtube

Espaço Recreativo

Em março deste ano, Juliana inaugurou em Boa Vista a Recreação Infantil Jardim dos Sonhos. O espaço funciona pela manhã e à tarde, recebe crianças de 2 a 10 anos de idade e é o lugar onde a criatividade não tem limites. O projeto começou a ser idealizado em dezembro, pela professora, que via a necessidade de um lugar livre para brincadeiras. “Boa Vista nunca teve um espaço assim e as crianças ficam com babás, avós, tios. Mas tem gente que não tem essa opção, então pensei em um espaço para elas virem brincar e aprender. Comecei a pesquisar, visitei algumas recreações e comecei a colocar em prática esse projeto”.

A Recreação conta com duas professoras, sendo uma delas a Prof. Juliana, que é quem administra, planeja e executa todas as atividades e mais três auxiliares. “Sempre sonhei em ter algo que pudesse ser o que eu quisesse. Claro, o currículo é importante e a escola tem que ter, mas eu queria alguma coisa para as crianças se divertirem mesmo, para brincarem, extravasarem, longe das regras da escola. Então, se pela manhã elas tem um ritmo intenso de alfabetização lá, a tarde ofereço diversão, porque elas precisam disso”. Ela conta que as crianças são livres para escolherem as brincadeiras. “A nossa intenção é que as crianças venham e se divirtam. Elas chegam e brincam no que elas quiserem, escolhem o brinquedo, com quem querem brincar e a gente auxilia, tanto para se enturmarem com os outros ou em alguma dificuldade, mas sempre com foco na brincadeira”.

Além das brincadeiras livres, todos os dias, por cerca de 40 minutos, uma atividade pedagógica é aplicada, associada ao tema da semana. A Recreação também oferece oficinas, especialmente nas tardes de sábado, como pintura facial, cupcakes, bilboquê, peteca, entre outras. Os pais podem escolher em quais oficinas as crianças irão participar, assim como os dias da semana que elas frequentarão o espaço, não sendo obrigatória a participação diária.

De acordo com a professora, não existe um método seguido pela Recreação. Na mesma turma, em um único espaço, todo mundo brinca junto e ela afirma que o relacionamento entre as crianças é muito saudável. “O relacionamento entre as crianças é tranquilo, os maiorzinhos criam um vínculo muito grande com os menores e se colocam como protetores, brincam juntos, fazem seus grupinhos e é bem tranquilo”.

A idade que mais frequenta o espaço é de 4 a 5 anos. “É uma fase que eles já gostam de ficar longe dos pais, já criaram uma certa independência, então eles acham o máximo vir aqui gastar as energias”. Juliana conta também que a Recreação é um momento importante de distração das crianças que, com a pandemia e presos em casa, acabam passando mais tempo diante de televisores e celulares. “A pandemia influenciou muito as crianças a passarem mais tempo diante das telas, por isso vi que era necessário um período longe disso, interagindo com outras crianças, se desenvolvendo em outras atividades. E por outro lado, isso ajuda também em casa, alivia um pouco a carga dos pais, que continuaram trabalhando durante a pandemia. As crianças ficam em casa e quando os pais chegam, querem brincar de tudo o que é possível, querem atenção. Passando o dia aqui, a noite elas já estão mais relaxadas, escolhem brincadeiras que não exigem tanto dos adultos”. Sobre o retorno que tem dos pais que levam seus filhos à Recreação, Juliana brinca: “Eles dizem que esse espaço é uma benção de Deus”, ri.

A capacidade do espaço recreativo é para 16 crianças e fica no prédio da nova sede do Sicoob. “Estamos construindo aos poucos, vendo o que é necessário, adquirindo novos brinquedos, vendo o que dá certo, o que as crianças precisam e gostam mais”. Juliana não esconde o amor que tem pelas crianças e pela Educação Infantil. “Desde que nasci sou assim, tenho esse vínculo com os pequenos. E gosto mesmo, brinco, me jogo no chão, rolo junto. Tem que ter pique, mas eu adoro isso”, conclui animada.

Deixe um comentário

Ao enviar um comentário você concorda com nossas politicias de comentários, saiba no link ao lado. política de comentários