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Marçal Ferreira, o psicólogo que é sucesso em venda de perfumes

Postado em 25 de junho de 2021 por

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Da Redação

Talvez você seja uma dessas pessoas que fica em dúvida sobre qual perfume comprar.

Nacional? Importado? Para trabalho ou para balada? Qual fragrância combina mais comigo?

O fato é que, usando uma expressão bem clichê, o perfume é como um cartão de visita. Ele passa aquela primeira impressão e se for agradável ao nosso olfato, provavelmente daremos mais atenção à pessoa que está na nossa frente, seja em ambiente de negócios ou um lugar mais descontraído. O contrário também pode acontecer e o perfume pode funcionar como um repelente.

É por isso que muitas pessoas tomam cuidado ao escolher uma fragrância.

Se falta experiência e surgem muitas dúvidas, um consultor olfativo pode dar uma ajudinha para fazer uma escolha certeira.

O psicólogo Marçal Ferreira (30) sempre foi apaixonado por perfumes. Com olfato muito apurado, desde criança associava cheiros e criava memórias olfativas. “É aquele momento que você sente um cheiro e vem uma lembrança à sua cabeça. Algumas são muito intensas. Você pode lembrar de um shampoo que usava quando era criança, lembrar da casa da sua tia ou alguém especial que usava aquele perfume”, diz.

Importados

Marçal conta que no início da adolescência ouvia uma música que citava um perfume que virou seu objeto de desejo. “Tudo começou através das marcas que, ali por volta de 2005, começaram a cair no gosto dos jovens, rolava aquela coisa de status, ostentação. Tinha um cantor, o Husky, que citava em um de suas músicas que o perfume top era o Polo Ralph Lauren Green. Aquilo ficou na minha cabeça, de que era o perfume ‘ban ban ban’. E quando fui a Guaíra, tive a oportunidade de atravessar a fronteira, cheguei num shopping repleto de perfumes e conheci o bendito do Polo Green com uma expectativa gigantesca”, conta Marçal. Porém, a experiência não foi como ele esperava. “O Polo Green é um perfume clássico, existe há décadas, é bem amadeirado. Depois os perfumes foram migrando para fragrâncias mais adocicadas que caíram no gosto do público masculino. Quando senti o perfume, decepção total, não gostei dele e acabei comprando outro, o Polo Black, bem diferente, com notas de melancia e manga, bem gostoso. Foi o meu primeiro perfume importado”.

Foto: Arquivo Pessoal

E virou colecionador. Marçal tem hoje para seu uso, cerca de 120 fragrâncias diferentes, em embalagens de vários tamanhos. Com o conhecimento adquirido, virou um consultor para amigos que pediam sugestões de perfumes. E depois, vendedor. “Quando estava na faculdade, através de um professor, conheci a Be Emotion, marca da Polishop, de venda por catálogo e comecei a vender também. Era o que me proporcionava uma folga financeira para o lazer, naquela época. Me comprometi a conhecer bem os produtos para saber o que estava vendendo, então com o conhecimento que eu já tinha, participei de congressos da Polishop e era um destaque na venda de perfumes”.

Com a graduação concluída, Marçal optou por focar na carreira e as vendas ficaram de lado temporariamente. Hoje é psicólogo concursado da Prefeitura Municipal de Boa Vista da Aparecida e nas horas de folga, voltou a vender. “Parei com a Polishop e quanto aos importados, vendia uma vez ou outra, atendia alguns clientes, pois também continuava comprando para mim. Depois de um tempo, os clientes antigos vieram atrás e vi que estava na hora de voltar, pois é algo que eu gosto. Foi aí que fiquei conhecido como o ‘Zé dos Perfumes’”, brinca Marçal. Ele fundou então a MF Perfumes, com venda direta ao consumidor.

Consultoria olfativa

Marçal conta que as pessoas o procuram, muitas vezes, com dúvidas sobre qual perfume usar e outras já chegam com a o nome do importado desejado. “Tem clientes que já tem o nome do perfume que querem comprar, mas antes de vender, faço a demonstração do produto para termos certeza de que é essa mesmo a fragrância que ela está procurando”, explica. Segundo o vendedor, cada perfume tem um momento certo para ser utilizado. “Eu sempre falo aos meus clientes que eles precisam ter um arsenal de perfumes. Digo isso porque os perfumes, especialmente os importados, são muito marcantes e não dá pra usar um produto ‘baladeiro’ no ambiente de trabalho. É claro que você pode ter aquele perfume que é a sua marca, mas o legal é poder variar para cada ocasião”.

Marçal explicou que a diferença entre os nacionais e importados, na questão de fixação, é pelo clima da região onde são produzidos. “As pessoas dizem que a fixação dos importados é melhor, mas essa diferença ocorre porque as marcas produzidas no Brasil, de clima tropical, trazem uma essência mais suave e ficam na categoria de colônias. Já os perfumes da França, por exemplo, que tem clima mais frio, são mais concentrados, são da categoria de eau de parfum, por exemplo, e podem ser usados durante o dia sem que haja uma exalação muito forte”. Porém, nada disso impede que uma fragrância europeia seja usada por aqui. “É por isso que a consultoria é importante, pois posso explicar ao cliente em que momento aquele perfume pode ser usado, se é para inverno ou verão e também as áreas do corpo em que ele pode ser aplicado para um melhor resultado”. Essa diferença quanto a concentração de essências entre os nacionais e importados é que justifica os preços mais elevados para os produtos estrangeiros. “Os importados tem um preço mais elevado por essa questão da concentração dos óleos essenciais, que são mais altas. Por outro lado, há o custo-benefício dos nacionais, que também são produtos de qualidade e ficam mais baratos. Mas as marcas nacionais estão mudando e aos poucos, utilizando novas matérias primas para atender o público mais exigente. Várias marcas brasileiras produzem eau de parfum”.

Mercado brasileiro

O gosto por perfumes em nosso país começou pelos índios, que usavam ervas e folhas em ‘banhos de cheiro’ e também águas perfumadas para se purificar. O perfumista Fabio Navarro, em entrevista para o site da Universo Pheebo, conta que a relação do brasileiro com perfumes é antiga e profunda. “A relação do brasileiro com perfumes é um caso de amor antigo e está intimamente ligada à mensagem que queremos passar. É isso mesmo, somos um povo que temos o perfume para a festa, o perfume para ir trabalhar, o da academia e por aí vai. Em algumas regiões do Brasil, ao invés de dizer: olá, ou me dá um beijo; se diz: me dá um cheiro. A nossa casa, a nossa roupa, o nosso dia tem que ser cheiroso”, diz ele.

O Brasil é o segundo maior mercado consumidor de perfumes de acordo com pesquisa da Euromonitor. De acordo com o Painel de Dados de Mercado da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, em 2020 o setor de perfumaria teve um crescimento de 8,4%. Durante a pandemia, foi impulsionado pelo e-commerce, favorecendo as marcas nacionais. O setor tem cerca de 4 milhões de empreendedores independentes de venda direta e movimentou mais de R$ 50 bilhões em 2020, de acordo com a presidente executiva da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), Adriana Colloca.

 

2 comentários “Marçal Ferreira, o psicólogo que é sucesso em venda de perfumes”

  1. Parabéns Marçal pela matéria, excelente história mostrando a qualidade de um Empresário que conhece do Ramo. Boa Sorte! Sucesso!

  2. Que legal! Muito interessante, mesmo. Tive uma aula de um assunto que tenho paixão, pois sou apaixonada por perfumes. Parabéns, Marçal!

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