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Olivo Bassoli: tradição familiar na produção de cachaça

Postado em 1 de setembro de 2021 por

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Da Redação/Fotos: Janaína Pazza

Boa Vista da Aparecida é terra de gente boa, gente que sabe fazer as coisas. Na pequena cidade com pouco mais de 7 mil habitantes, encontramos gente que nasceu aqui mesmo, gente de outros lugares do Paraná e também aqueles que vieram de outros estados do sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Todos com o objetivo comum de encontrar aqui o seu caminho e construir sua vida.

E foi lá de Xanxerê (SC) que veio o seu Olivo Bassoli, adolescente, com seus pais e irmãos. “Meu pai veio antes, construiu o Hotel Cattani, e depois veio a família toda. Tínhamos o sítio e eu fui trabalhar na roça. Me casei, morei por dois anos em Capitão”, conta Bassoli.

Mas Olivo trouxe com ele a tradição do pai e do avô em produzir cachaça e aproveitou uma oportunidade. “Achei um alambiquinho pra comprar, era pequeno, produzia 20 a 25 litros de cachaça por vez. Comecei a plantar cana e fabricar. Esse alambique antigo me serviu por 31 anos”.

Por 31 anos o pequeno alambique produziu cachaça. Hoje decora a propriedade da família.

As vendas aumentaram e a necessidade de produzir mais chegou há 16 anos. Foi aí que seu Olivo investiu em um novo alambique, com maior capacidade. “Procurei o Sebrae, plantei mais cana, construímos este espaço aqui e com o novo alambique a produção aumentou para 70 litros por lambicada”. Com a nova estrutura, foi possível fazer três produções por dia, resultando em mais de 200 litros de cachaça diariamente. O alambique maior trabalhou por 15 anos e há cerca de um mês, a família adquiriu um novo, com a mesma capacidade.

Sala de destilação

Qualidade

O processo é familiar e artesanal. Colaboradores contratados auxiliam para cortar e transportar a cana da lavoura até a cachaçaria. A partir daí, a fabricação é feita por Olivo, o genro Adair e o neto Gabriel. A cana é moída no engenho e o caldo vai para a fermentação por 24 horas em grandes dornas. Quando está no ponto, o vinho da cana segue para a destilação no alambique de cobre. Os vapores são condensados por resfriamento e saem na bica com alta concentração de álcool. Nesta etapa, o álcool inicial e o final não são utilizados para a cachaça. Os primeiros 10% de vapores condensados possuem teor alcoólico de mais de 60% e alta presença de metanol. Já os últimos 10% saem com teor alcoólico de 14% e assim como o líquido inicial, são impróprios para o consumo. Assim, o coração da produção é enviado para o armazenamento em barris de inox ou de madeira.

Segundo Olivo, a qualidade da cachaça é determinada primeiramente com a cana. “Quando ela é cortada, eliminamos as pontas e somente o coração é que vai para a moagem”. A doçura da cana pode variar, portanto, após a moagem é feita a padronização do brix. “Nós medimos o teor de açúcar e se estiver muito alto, é necessária uma correção com água para chegar na escala ideal e não prejudicar a atividade da levedura. Aqui a qualidade da cachaça é sempre a mesma, com graduação alcoólica de 38 ou 39 por cento. Não misturamos nada”, explica.

O genro Adair, iniciando a produção com a moagem da cana

A escolha de onde a cachaça será armazenada na fábrica do seu Olivo é o que determina o produto que será comercializado. Cachaça branca ou amarela. Para ser considerada envelhecida, a cachaça deve ficar armazenada por mínimo um ano em madeira. A cachaça amarela do seu Olivo é envelhecida em barris de cabreúva. Em sua fábrica, há barris com mais de 100 anos. Já a cachaça branca é armazenada em dornas de inox.

O envasamento e rotulagem é manual e feito conforme as vendas. Durante a safra, a fábrica produz 33 mil litros de cachaça. “Este ano, como atrasou a chegada do novo alambique, o tempo de produção ficou menor e deve render pouco mais de 20 mil litros”. Essa quantidade não é vendida durante todo o ano e fica armazenada, envelhecendo. “Quanto mais velha, melhor, então ela fica ali nos barris envelhecendo, resultando em produtos diferentes. Estou com uma produção pronta para a venda com envelhecimento de 6 anos”.

Seu Olivo com os barris de mais de 100 anos, usados para o envelhecimento da cachaça

Safra

A produção acontece de junho a dezembro, durante a safra da cana. Os canaviais tem um ciclo de cerca de 7 anos, depois disso devem ser eliminados e novas mudas são plantadas. Durante o verão, a família trabalha em outras atividades, como a produção de tilápias, que antes eram comercializadas ainda na fase alevina e no último ano passaram a ser engordadas para venda no quilo. “É depois da safra da cachaça que lidamos mais com os peixes e temos também tempo para descansar e visitar alguns parentes”.

Além do genro e do neto, a esposa de seu Olivo, dona Jurema e a filha Luciana também trabalham na propriedade. “Tenho quase 70 anos e são 45 deles produzindo cachaça. Estou satisfeito por continuar a tradição da família, por cumprir essa missão e estar passando para frente também, pois meu genro e neto gostam de fazer cachaça e vão continuar com essa tradição. Muita gente vem aqui e acha bonito ver a família toda trabalhar junta”.

Recentemente a Cachaça Boavistense, como foi batizada, foi legalizada e passou a ser vendida em estabelecimentos comerciais de Boa Vista e Capitão Leônidas Marques. Mas a grande parte da produção ainda é vendida na propriedade, onde pessoas de todo o Brasil aproveitam a passagem pela cidade para provar a cachaça feita aqui.

Cachaça Boavistense

One comentário “Olivo Bassoli: tradição familiar na produção de cachaça”

  1. Boa noite
    PARABÉNS EMPREREENDOR NATO…
    TOMO MUITO DESSA CACHAÇA…PRIMEIRA LINHA.
    RECOMENDO A TODOS QUE APRECIAM UMA BOA CACHAÇA ARTESANAL….

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